Economia
28/03/2024 17:27

Valorizar produtos regionais, proteger regiões, agregar valor e impulsionar economias. Estes são os principais benefícios de conquistar o selo de Indicação Geográfica, uma chancela oficial conferida a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem graças aos métodos de produção, recursos naturais, autenticidade e exclusividade.

Atualmente, o Brasil possui 122 Indicações Geográficas, a última concedida esta semana a Codajás, no Amazonas, pela produção de açaí. Além de preservar a biodiversidade da região e difundir a cultura local, a conquista do selo também agrega valor ao produto impulsionando negócios. De acordo com oSebrae, em 2023 as IGs nacionais tiveram potencial de envolver mais de 190 mil pequenos negócios em 2.200 municípios do país. 

O Sebrae tem forte atuação no desenvolvimento de regiões através do apoio ao processo de emissão do selo de Indicação Geográfica. Desde 2003, a entidade trabalha dando suporte técnico do início ao fim do processo junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), órgão responsável por conceder o selo de garantia de procedência de um produto ou serviço. 

“O Sebrae é um dos principais promotores do tema de IG no Brasil. Além de ter uma estratégia bem estruturada para auxiliar na estruturação de novas IGs, tem uma atuação muito relevante no apoio após a concessão do registro e nas ações de promoção e mercado”, explica o gestor estadual de Indicação Geográfica do Sebrae-RS, André Bordignon. 

Segundo o INPI, o reconhecimento pode aumentar, em média, o dobro do valor de venda de um produto. Além do valor econômico direto, as indicações geográficas também estimulam o turismo, impulsionando indiretamente a economia local ao trazer investimentos em hotelaria, gastronomia, lojas de souvenirs, transporte, instituições financeiras e outros mercados. 

Para ampliar seus negócios, produtores brasileiros estarão em Gramado na próxima edição do Connection Terroirs do Brasil, que acontece de 15 a 18 de maio. Vindos de diferentes regiões do país, eles irão expor seus produtos com Indicação Geográfica e participar de rodadas de negócios para ampliar o alcance de sua produção. Em 2023, foram 27 participantes e, este ano, a expectativa é de ter 50 expositores na Alameda Terroir, feira que será montada na Rua Coberta de Gramado. 

“Além do valor afetivo que temos com os produtos de origem, é uma grande satisfação ver que a certificação de Indicação Geográfica pode realmente fazer a diferença para os produtores e assim ampliar a cadeia de negócios daquela região. As certificações são, inclusive, um ativo para fomentar a produção turística de um destino. É uma verdadeira mudança de cultura e queremos mostrar tudo isso em mais uma edição do Connection Terroirs do Brasil em Gramado”, explica a CEO do evento, Marta Rossi. 

Produto com IG também pode ser estratégia de marketing 

“A lógica de marketing de um produto com IG é valorizar a origem e a identidade, o que o torna inimitável – e isso pode representar até 270% a mais de valor, segundo pesquisa da European Comission”, explica o publicitário, professor universitário, consultor, editor e jornalista Rogério Ruschel em seu livro “O Valor Global do Produto Local - identidade territorial como estratégia de marketing”. 

Ele é presença confirmada entre os painelistas que irão participar da programação de palestras do Connection Terroirs do Brasil em maio no Palácio dos Festivais. Conforme explica Ruschel, “um produto global é padronizado e sua força está na marca (brand). Como os valores da marca são criados artificialmente pelo fabricante (para serem produzidos sempre da mesma maneira em diferentes países) podem ser copiados, trocados, modificados ou vendidos. Já um produto com IG é exclusivo e sua força está na sua identidade. Os valores da identidade são únicos, pertencem ao próprio produto e não podem ser copiados, trocados ou modificados: só em Carrara pode ser produzido mármore de Carrara”.

Para a Associação da Indústria e Comércio de Chocolates de Gramado (ACHOCO), o selo de Indicação de Procedência para o chocolate artesanal feito na cidade, conquistado em 2021, garantiu mais credibilidade e confiança aos consumidores. “Os clientes que conhecem a finalidade do selo se sentem seguros na hora de comprar”, afirma João Teixeira, executivo da associação.