Serra Gaúcha mantém alta demanda no início de 2026, mas enfrenta desafio de reduzir dependência regional, aponta Sindtur

A Serra Gaúcha iniciou 2026 com forte demanda turística, mas os dados do primeiro trimestre revelam um cenário de contrastes. Enquanto janeiro consolidou o destino como altamente procurado, fevereiro expôs fragilidades importantes, especialmente na atração de visitantes de fora da região Sul. O levantamento do Flutua, ferramenta do Sindtur Serra Gaúcha, analisa o desempenho de Gramado e Canela.
Janeiro confirma força do turismo regional
Os números mostram que mais de 40% dos turistas têm origem no Sul do país. Em janeiro, o Rio Grande do Sul respondeu por 34% dos visitantes, seguido por Santa Catarina, com 10%, evidenciando a forte regionalização do fluxo turístico.
No mesmo período, o estado de São Paulo representou 16% da demanda, além de 6% oriundos da capital paulista, consolidando-se como o principal mercado nacional fora da região — ainda considerado subexplorado diante do potencial.
A taxa de ocupação em janeiro alcançou 66,3%, refletindo o bom desempenho durante o período de férias.
Fevereiro expõe fragilidades e queda de São Paulo
Em fevereiro, o cenário mudou de forma significativa. A dependência do mercado gaúcho aumentou, passando de 34% para 48% do total de visitantes. Santa Catarina manteve participação de 10%.
Já São Paulo apresentou queda relevante, recuando de 16% para 11%, o que acende um alerta no setor turístico.
A retração é atribuída principalmente ao fim do período de férias, mas também evidencia a necessidade de estratégias permanentes para manter a atração de turistas ao longo do ano.
A taxa de ocupação caiu para 46,1%, reforçando o desafio de transformar picos sazonais em fluxo contínuo.
Março indica recuperação, mas com mudança de perfil
Para março, a projeção inicial aponta uma recuperação parcial, com ocupação estimada em 53,9%. A tendência é de crescimento conforme o período se aproxima.
Mais do que o volume, o perfil do visitante chama atenção. A maioria dos turistas é formada por casais, que representam 58% do público, reforçando o posicionamento da Serra Gaúcha como destino voltado a experiências românticas.
O público familiar corresponde a 36%, enquanto viajantes solteiros somam apenas 6%, indicando menor diversificação de perfis neste período.
Turista mais qualificado e maior gasto
Os dados também mostram um padrão de consumo mais elevado. Entre os tipos de acomodação escolhidos, 58% optam por padrão luxo, 23% por padrão standard e 19% por categoria superior.
A leitura estratégica aponta que o turista atual não busca apenas visitar o destino, mas consumir uma experiência completa, com maior disposição para investir.
Desafio é integrar o trade e reduzir dependência
O cenário reforça a necessidade de atuação integrada de todo o trade turístico, incluindo hotelaria, gastronomia, comércio e atrativos.
Apesar da consolidação da Serra Gaúcha como destino de alta demanda, o principal desafio segue sendo a diversificação dos mercados emissores, especialmente fora da região Sul, para garantir crescimento sustentável ao longo do ano.
O relatório foi elaborado em 24 de março de 2026.