Novo procedimento que auxilia pousos com neblina já está em operação no aeroporto de Caxias e deve reduzir cancelamentos de voos, contribuindo para o turismo da região

Novo procedimento que auxilia pousos com neblina já está em operação no aeroporto de Caxias e deve reduzir cancelamentos de voos, contribuindo para o turismo da região
Turismo
- Créditos: Agência RBS

Uma boa notícia para o turismo de Gramado e região. Na tentativa de reduzir os cancelamentos de voos por conta da neblina, o aeroporto Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul, passou a contar com um novo procedimento de aproximação para pouso. O equipamento foi implantado na última semana. 

Trata-se do RNP AR 1.5, um sistema que opera com rastreamento via satélite, mas precisa da homologação dos órgãos aeronáuticos para ser utilizado. O início das operações ocorreu a partir do aumento da demanda com o fechamento do aeroporto de Porto Alegre e foi confirmado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Da sigla Required Navigation Performance ou Performance de Navegação Requerida, o sistema opera com a aeronave seguindo pontos pré-determinados em um mapa. Esse é considerado um procedimento de não-precisão, o que impede pousos com visibilidade próxima a zero. Além disso, tanto a aeronave quanto os pilotos precisam estar aptos a adotá-lo, daí a sigla complementar AR, de autorization required ou autorização requerida. Não há necessidade de instalação de aparelhos no solo.

O RNP é utilizado para facilitar pousos com clima adverso e também em aeroportos com obstáculos no entorno (inclusive relevo) e com grande tráfego aéreo, por exemplo. Por permitir adotar percursos mais diretos de aproximação, também é possível reduzir o consumo de combustível.

Caxias do Sul já utiliza uma modalidade chamada RNP AR 3.0. Essa modalidade possibilita pousos com nuvens a 100 metros de altura e 1,5 mil metros de visibilidade horizontal. Ou seja, a essas distâncias, os pilotos precisam enxergar a pista para concluir o pouso. Com a nova modalidade adotada, os mínimos exigidos serão de 80 metros de altura e 1,2 mil metros de visibilidade horizontal. Isso aumenta as chances de pilotos habilitados prosseguirem com o pouso sob tempo fechado.

Segundo a Anac, a adoção da modalidade mais precisa de RNP é a medida apontada como possível para o terminal caxiense, uma vez que o complexo não comporta a instalação do Instrument Landing System (ILS) ou Sistema de Pouso por Instrumento. Utilizado principalmente em aeroportos com tráfego intenso, o sistema, conhecido como antineblina, consiste em um conjunto de antenas e luzes fixados no solo que emitem sinais de rádio captados pelas aeronaves.

O ILS conta com três modalidades. A categoria I, considerada a menos precisa, exige altura mínima de 60 metros para as nuvens e 550 metros de visibilidade. Especialistas apontam que, caso houvesse possibilidade técnica, apenas um ILS categoria II — semelhante ao de Porto Alegre — poderia dar mais efetividade à manutenção das operações sob mau tempo. Essa versão exige nuvens com 30 metros de altura e visibilidade de 300 metros.

“Penso que o categoria I não iria mexer muito, porque para manter o aeroporto do jeito que são os nossos nevoeiros, teria que ser um categoria II já”, avalia Jared Jost, professor de Regulamentos de Tráfego Aéreo do curso de Ciências Aeronáuticas da Uniftec.

A prefeitura de Caxias também está encaminhando a compra de um Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão ou Precision Approach Path Indicator (Papi). O sistema consiste em um conjunto de luzes instaladas ao lado da pista, mas auxilia somente os pousos realizados sob condições visuais.

Fonte: GZH